domingo, 7 de novembro de 2010

Escolha e Angustia

Uma verdade fundamental na existência: não podemos fugir das escolhas que temos de fazer na vida. Quando tentamos fugir, permitimos que outras pessoas, ou mesmo situações escolham por nós. Muitas vezes fazemos isso com o intuito de não nos responsabilizarmos por essas escolhas, uma vez que não fomos nós que escolhemos. Mero engano, mesmo quando permitimos outros escolherem por nós, as escolhas não deixarão de ser nossas e não deixarão de implicar e gerar consequências, pois tudo o que diz respeito a nossa vida é responsabilidade nossa.
A questão que se coloca é que decidir, escolher, tomar decisões é sempre angustiante, pois nos exige ter de se haver com o que fazemos. A vida é uma questão de escolha, mas preferimos acreditar que não precisamos enfrentar nossas ações. Acaba sendo mais fácil responsabilizar os outros, as coisas que nos acometem, as situações, Deus ou o diabo. Em todas as situações precisamos escolher, mesmo em situações em que as possibilidades de escolhas são reduzidas. A redução das possibilidades das escolhas por conta da contingência do mundo é algo que precisamos enfrentar, aprender a lidar, pois nem sempre, ou melhor, quase nunca, poderemos escolher o que queremos.
O maior problema está na restrição das escolhas que nós mesmos fazemos, ou seja, muitas vezes não nos julgamos capazes de uma coisa ou outra, por avaliarmos que não temos capacidade para tal. Entram questões psicológicas como nosso descrédito construído ao longo de nossa vida, nossa teimosia que nos faz insistir no que está dando errado, nosso orgulho que nos proíbe de admitir o erro, nossa falta de autoconfiança. São tantos os fatores que aqui não caberiam, mas com esses já podemos pensar outros. A questão é que traçamos destinos e restringimos as possibilidades, não nos permitindo aventurar por outros terrenos desconhecidos. Seguimos um padrão de escolhas que vão se seguindo e viram uma forma de ser, de fazer e de viver. Muitas vezes não conseguimos nos desprender dessa forma de lidar com as coisas com as quais nos relacionamos.
Portanto, o divã tem como finalidade viabilizar a sequência de nossas escolhas e, sobretudo, para onde elas nos levam, para construir outras formas e caminhos que não apenas esses que estamos acostumados, para não dizer, aprisionados. A vida se torna restrita, muitas vezes, não pelas restrições sociais que não podemos alterar, pois, como disse antes, são da ordem da contingência. Mas por conta de condições psicológicas das quais não conseguimos nos livrar. Essas condições psicológicas nos reduz a repetição das vivências passadas, fazendo com que venhamos a cair nos mesmos dilemas e não enxergar o futuro em aberto como possibilidade real de se encontrar o novo e distinto do que temos.

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